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Infonline Chopotó!
Desde: 13/04/2009      Publicadas: 92      Atualização: 15/11/2011

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 Roda da Ciranda -Fala cipó!

  16/08/2009
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A pequena cidade de Cipotanea no estado de Minas Gerais, com cerca 6.000 habitantes. O lugar tem mais de trinta sacerdotes e outras dez religiosas e Pe. Arlindo é um deles...

O missionário Pe. Arlindo Dias nasceu em Cipotânea MG, filho de camponeses e teve uma bisavó portuguesa e um bisavô africano.
A pequena cidade de Cipotanea no estado de Minas Gerais, com cerca 6.000 habitantes. O lugar tem mais de trinta sacerdotes e outras dez religiosas. Aos onze anos entrou no Seminário menor dos Missionários do Verbo Divino. Durante a formação fez uma trajectória por três estados. A sua primeira missão foi entre os sem-abrigo da cidade de São Paulo, onde iniciaram o projecto chamado "Rede Rua" que produz vídeos, publica o jornal de rua "O Trecheiro", acolhe e oferece alimentos a pessoas sem abrigo. Depois de oito anos foichamado para acompanhar os estudantes de teologia como formador. Depois foi o Provincial da nossa Congregação na região de São Paulo, durante cinco anos. Em 2006 foi eleito conselheiro geral da Congregação.

A  pequena cidade de Cipotanea no estado de Minas Gerais, com cerca 6.000 habitantes. O lugar tem mais de trinta sacerdotes e outras dez religiosas e Pe. Arlindo é um deles...
Sim, a nossa Igreja na Europa parece viver o dilema de se situar entre a esperança e o pessimismo. Ao longo dos anos, o cristianismo despertou nas pessoas uma sensibilidade imensa pelo direito individual e a solidariedade para com os pobres de outros continentes. Existe uma dívida histórica para com as ex-colónias a desafiar a Europa através da imensa quantidade de imigrantes que chegam em busca de vida e esperança. Por outro lado fala-se sempre mais dos chamados "pobres envergonhados" do continente que se servem dos serviços sociais aos carentes, mas sentem vergonha de manifestar a sua condição.

A juventude, por sua vez, embora atordoada por inúmeras promessas de uma vida de muitos prazeres, que é irreal, não se sente atraída pela forma com que vivemos o cristianismo. Celebrar o que se vive e viver o que se celebra é o grande desafio! A juventude precisa de redescobrir a Igreja como a sua casa. Não há outro caminho que não seja descobrir formas de ir até eles, celebrar e transmitir a fé numa linguagem e ritmo a eles adaptada.

Toda a atitude de arrogância, prepotência ou falso moralismo nos fazem enveredar por estradas de pessimismo que apenas afastam aqueles com quem queremos dialogar. O caminho possível é a esperança. O acolhimento fraterno aos imigrantes, o serviço para dar visibilidade e acompanhar a "pobreza envergonhada", o abandono de estruturas que nos foram úteis no passado ou modos de ser, para ir ao encontro da juventude com os braços abertos do Pai Misericordioso, parecem-me ser os grandes desafios para este velho continente, e de modo particular, para a Espanha e Portugal.


Chegou, viu e ouviu. Pelo meio foi também apontando caminhos. Daquilo que viu e ouviu, poderia sublinhar dois ou três aspectos que o tenham surpreendido positiva e negativamente?

O primeiro deles é o clima de esperança. Apesar de todas as contradições e incertezas, os nossos confrades olham com esperança para um futuro melhor para as nossas províncias e acolhem os que vêm de outros continentes como sinal desta esperança. O segundo aspecto é o interesse, da parte de muitos, de uma proximidade e parceria com leigos e leigas na mesma missão. Há também uma sensibilidade tanto económica, como em termos de voluntariado, para com as realidades de exclusão dentro e fora do país. As formas diferenciadas de presença junto dos imigrantes são sinal desse compromisso.

Por outro lado, apesar das incertezas, somos desafiados para o risco de novas formas de presença e respostas missionarias. Não há outra saída! Faz-me lembrar a história do homem que caiu num grande buraco e ficou suspenso num pequeno galho. Ateu convicto, gritou: "Oh Deus, se existes, tira-me daqui!". De repente, ouviu uma voz: "estou aqui, solte o galho!" Ele respondeu: "já sei que existes, mas soltar o galho nunca!" Os galhos aos quais nos agarramos, ao longo da nossa história, podem dificultar o nosso abandono nas mãos amorosas de Deus que conduz a nossa história. A necessidade de se desfazer de algumas estruturas e repensar outras, devem continuar no quotidiano de nossas orações e preocupações.


Desde a sua perspectiva, agora a partir de Roma, e com o seu percurso próprio, como vê e sente o papel da Igreja e da Congregação do Verbo Divino nestes tempos de mudanças tão acentuadas que levam alguns a falar de mudança de época?

Mudança de época é claramente época de mudanças. Estes períodos da história deixam-nos inseguros, sem visibilidade (perspectiva) e, às vezes, sem saber como seguir adiante, devido à insegurança que o caminho provoca. O grande profeta brasileiro do século XX, D. Hélder Câmara, com o seu olhar contemplativo, recorda-nos que "quanto mais escura è a noite, mais lindo será o amanhecer".

Uma olhadela ao redor do planeta faz-nos perceber que a catolicidade da Igreja é uma realidade. O mandato missionário "Ide e Evangelizai" torna-se presente em quase todos os países e continua em expansão. A entrega e a paixão de tantas pessoas têm feito com que o Evangelho chegue a todos os povos e culturas. Para o cristianismo, porém, pessoa e mensagem fundem-se num mesmo serviço à vida. O serviço à vida, por sua vez, não acontece sem mudanças estruturais e sociais que permitam condições dignas para todos os filhos e filhas do mesmo Pai. A Igreja é convocada a "adorar em espírito e verdade". O futuro da humanidade sofredora pede da Igreja aptidão para escutar, aprender e dialogar com todas as pessoas que buscam, de coração sincero, um único Deus e a vida digna para todos.

Parece-me evidente que, com a expansão das estruturas da Igreja e da Congregação em direcção às Américas, África e Ásia, nos últimos séculos, a actual estrutura e os seus ministérios têm-se tornado insuficientes para responder às exigências dos novos tempos. O futuro pedirá da Igreja e da Congregação a capacidade de rever as suas estruturas e recriar novas formas de presença junto das comunidades eclesiais. O ouvido atento e os pés firmes nas diversas e diferentes realidades dos continentes será de fundamental importância na maneira de encantar as pessoas e abrir novos espaços de se viver e celebrar a mesma fé. A unidade na diversidade será o caminho seguro frente à missão comum de aprender e ensinar aquilo que todos recebemos do mesmo autor da vida. Neste sentido, o trabalho com as nossas dimensões bíblica, missionária, justiça e paz e comunicação podem ser um importante serviço do nosso carisma à Igreja local.


A Congregação está a celebrar o Ano Centenário da morte de S. Arnaldo Janssen e de S. José Freinademetz, com o lema "preciosa é a vida dada à missão". Sente que estas celebrações poderão estar a entusiasmar-nos ou não poderemos estar a correr o risco de ser simplesmente mais um acontecimento?

Devemos conectar a vida preciosa de Arnaldo e José que foram dadas à missão com a contínua missão de dar a vida para a qual se propõe uma instituição como a nossa. O sentido do nosso ser verbita na Igreja está ligado ao nosso compromisso de dialogar com os empobrecidos, proclamar o valor de cada cultura como manifestação do único Deus e colaborar na construçao de uma sociedade justa e fraterna. Aliado a isto, o nosso dar a vida está profundamente conectado com uma convivência próxima e dialogante com as outras religiões, no sentido de acolher deles aquilo que o Senhor lhes diz, e oferecer-lhes a riqueza do grande dom do Deus que se fez homem e divinizou a nossa existência humana. A vida é dada à missão para que todos tenham vida! Que nos juntemos também àqueles e àquelas que, de coração sincero, se empenham por uma sociedade que constrói a paz sob o fundamento da justiça.

O meu sonho seria que no final das celebrações deste Centenário, cada província oferecesse um presente carinhoso aos nossos santos: uma comunidade com uma nova forma de presença missionária a partir das orientações dos capítulos gerais e da realidade que nos desafia. Se assim for, não será apenas mais um acontecimento, mas a celebração de um compromisso que tem continuidade a partir dos sinais dos tempos.


Nestas suas viagens encontra as pessoas realmente entusiasmadas, povoadas por aquela paixão pela missão que encheu o coração de tantos homens e mulheres, ou bem mais resignadas a uma situação e prisioneiras de pequenos mundos?

As duas atitudes fazem-se presentes. Muitas vezes, elas estão dentro de mim mesmo. De facto, tenho experimentado que aqueles que me confirmam que somos "salvos pela esperança" são os mais pobres, devido à sua entrega incondicional a Deus. Os sinais mais fortes do Reino de Deus tenho-os encontrado no meio deles. Na visita a Angola, no ano passado, fui acolhido pelo soba (chefe do povoação, que não era cristão) e veio dar as boas vindas ao missionário, oferecendo uma espada como presente. Em Moçambique fui acolhido com danças e cantos, ficámos durante um longo tempo a celebrar debaixo de uma árvore e fui ouvido e acolhido pelos dois chefes muçulmanos e o pastor da Igreja da povoação. E ainda recebemos o melhor da comida que ofereceram. O sentido do acolhimento e a aguda consciência da propriedade colectiva de todas as coisas por parte daqueles povos são ventos de esperança, transmitidos nos pequenos gestos que fazem a nossa vida tornar-se grande.


O P. Arlindo regressa dentro de poucos dias a Roma. E agora? Que podemos esperar e em que nos desafia realmente?

Os desafios, pelo que vi, são muitos! E encontrei também muita vontade de enfrentá-los! Apresento alguns:
Toda a família que se presa deseja continuidade através dos filhos! A Província portuguesa está desafiada a acreditar na possibilidade de contar com jovens portugueses para a missão. Os esforços, neste sentido, podem ser ampliados. Não digo que seja fácil, mas existem pessoas e criatividade para fazer desabrochar esta nova missão.

Que se dê continuidade ao belo trabalho que vem sendo desenvolvido com os diversos grupos de missionários leigos e leigas (Diálogos, Amigos do Verbo Divino e ex-Verbitas). Que os nossos corações e casas se abram sempre mais para essa missão comum! Novas iniciativas devem ir florescendo e frutificando!

Que os nossos olhos, ouvidos e coração estejam atentos às realidades de pobreza e imigração e façam da nossa família verbita, tão rica na sua universalidade, um sinal da fraternidade universal e a garantia de um espaço de acolhimento, organização e garantia de direitos para todos aqueles que tiveram a coragem de deixar a sua pátria e atravessar o mar em busca de mais vida e esperança, como o fizeram os mesmos europeus alguns anos antes.


Por último, e agradecendo mais uma vez a sua amabilidade, sabemos que não basta dizer que é preciso caminhar. Necessitamos de uma visão, de saber a partir de onde e para onde queremos verdadeiramente caminhar. Que visão e a partir de que lugares para os Missionários do Verbo Divino hoje em Portugal na fidelidade às exigências da missão neste nosso tempo?

O missionário é a pessoa que vai ao encontro. Poderíamos fazer a pergunta de outra maneira: em direcção a quem os Missionários do Verbo Divino devem ir ao encontro nos próximos anos na realidade portuguesa? Pelo que ouvi e partilhei com os confrades, a minha resposta seria:

- Ir ao encontro da juventude portuguesa ou imigrante e propor-lhes caminhos de vida e esperança. Onde for possível convocá-la para o serviço missionário como religiosos ou leigos comprometidos.

- Ir ao encontro dos imigrantes e da "pobreza envergonhada" para com eles construir um futuro de esperança. Os Missionários do Verbo Divino portugueses e os companheiros que possuem a mesma cor e raça que os imigrantes podem ser sinal da fraternidade que desejamos.

- Seguir avançando na nossa missão comum com o laicado através da partilha da nossa espiritualidade e organização de retiros e encontros paroquiais, distritais e provinciais.



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